Vem,
Te direi em segredo
Aonde leva esta dança.

Vê como as partículas do ar
E os grãos de areia do deserto
Giram desnorteados.

Cada átomo
Feliz ou miserável,
Gira apaixonado
Em torno do sol.

Jalal al-Din Husain Rumi - Poema Sufi

Faltam-te pés para viajar?

Viaja dentro de ti mesmo,

E reflete, como a mina de rubis,

Os raios de sol para fora de ti.

A viagem conduzirá a teu ser,

transmutará teu pó em ouro puro.

Morgenstern?! Ao final do Blog!


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O homem à imagem do sol

Quando se olha para o Sol, o que se vê em primeiro lugar é aquele disco luminoso que tem sempre a mesma forma, a mesma dimensão, e que pode ser observado, medido, filmado. É o seu corpo. Mas se se quiser estudar o que sai dele, esta luz que corre, que jorra do centro para a periferia, se se quiser saber o que ela é e até onde se expande no espaço, é impossível, isso ultrapassa a imaginação.


O ser humano é construído como o Sol: tem um corpo físico, determinado, imutável; mas acerca daquilo que sai dele – os seus pensamentos, os seus sentimentos, as suas radiações, as suas emanações – , o que é que se conhece? Pouca coisa… As pessoas têm tendência a confundir-se com o seu corpo físico, mas dentro em pouco serão obrigadas a rever todas as suas concepções e a reconhecer que só a ciência esotérica é verídica porque tem tido em conta os dois aspectos da realidade: o aspecto objetivo, mensurável, material, os fenômenos, que não deve ser descurado, mas também, e sobretudo, o aspecto espiritual, vivo, as emanações e as radiações, cuja natureza e cujo poder ainda não são conhecidos.

Um dia eu disse-vos: “Os planetas tocam-nos, o Sol toca-nos…” e vós ficastes espantados. Contudo, é verdade, o Sol toca-nos de longe através de seus raios. E nós, que somos construídos pelo mesmo modelo que o Sol, por intermédio do nosso pensamento, da nossa alma e do nosso espírito, temos poderes que se estendem até muito longe, para além dos limites do corpo físico. Do mesmo modo que o Sol age sobre os metais, as plantas, os animais e os humanos, que penetra, que aquece e alimenta, assim também nós podemos, à distância, transformar, melhorar, iluminar e vivificar as creaturas.

Mas vamos mais longe: aquele disco luminoso que vemos no céu, perfeitamente limitado, é o corpo do Sol. O que emana dele, os seus raios, são os seus pesamentos, a sua alma, o seu espírito, que vão visitar a periferia para distribuir por toda a parte a riqueza e a abundãncia. Quando estão descarregados, regressam ao Sol para se recarregar, e depois voltam a partir para visitar outras creaturas através do espaço.

No nosso corpo físico, o representante do Sol é o coração; tem as mesmas funções, a mesma actividade infatigável, e incessantemente, mesmo quando todos os outros órgãos se relaxam um pouco, ele continua o seu trabalho, pois o seu objectivo é um só: ajudar, sustentar, alimentar, edificar, reparar. Não pensa senão em dar, em ser impessoal, generoso e cheio de amor. Mas será que os humanos se aperceberam que possuem um órgão, o coração, que é o representante do Sol no seu corpo físico?

Estes raios, esta luz que o Sol envia, correspondem, portanto, ao sangue: como ele, estão cheios de tudo o que é útil, proveitoso, benéfico e salutar para todas as creaturas do universo. Este sangue, depois de ter depositado a sua carga de materiais nutritivos, reparadores, portadores de saúde, e de ter captado, em troca, todas as impurezas, regressa. Mas não regressa directamente para o Sol, para o coração, passa primeiro pelos pulmões do universo para aí ser liberto dessas impurezas. O planeta que desempenha o papel dos pulmões é Jupiter. A astrologia atribui-lhe mais o fígado, mas o fígado executa as mesmas funções noutro domínio: limpa e purifica também o organismo dos seus venenos. Em búlgaro, fígado diz-se “tcheren drob”, que se pode traduzir por pulmão negro, e pulmões diz-se “bel drob“, pulmão branco. Reparai que há uma aproximação extraordinária. Em dois domínios diferentes, ambos estão encarregues da purificação.

Se bem que a astrologia atribua vulgarmente o fígado a Júpiter, eu atribuo-o antes a Saturno. Aqui é a mitologia que pode ajudar a compreender as suas relações. Na origem, Júpiter encontrava-se no fígado e Saturno nos pulmões, mas quando Júpiter destronou o seu pai, apoderou-se do governo dos pulmões e precipitou Saturno para o fígado. Desde então, Saturno leva uma vida subterrânea, nas minas, tal como o fígado, que trabalha abaixo do diafragma, na escuridão e nos venenos.

Mas deixemos tudo isso e voltemos ao Sol. A luz que sai do Sol é, pois, o seu sangue. Estes raios, depois de terem sido utilizados pelos planetas, pelos inúmeros seres do Universo – visto que o espaço é habitado por biliões de creaturas que recebem estes raios e deles se alimentam – escurecem, perdem a sua luz, o seu calor; dirigem-se então para Júpiter, que os purifica – a Lua e Saturno participam também nessa purificação – e, finalmente, voltam ao Sol. Em seguida, depois de ela ter sido recarregada de amor, de sabedoria e de verdade, o Sol envia de novo esta força para o espaço.

No sistema solar há, pois, toda uma circulação. Ele é um organismo vivo que funciona graças ao Sol, o coração que bate e o alimenta sem cessar. Eis porque o coração foi tomado como símbolo da impessoalidade, do desinteresse, do amor: porque ocupa no homem o lugar do Sol. É seu desejo de dar que torna o Sol tão luminoso e ardente. Tirai a alguém o amor, a bondade, o desejo de ajudar os humanos, e o seu aspecto tornar-se-á mortiço, tenebroso. Reparai num homem que se prepara para ir ver um amigo que está doente ou infeliz para levar-lhe presentes, dizer-lhe palavras de consolação: o seu rosto é belo, radioso. E reparai, pelo contrário, no aspecto de um criminoso que prepara um mau golpe: ele tem um ar tenebroso, crispado, inquieto, nele já não há luz. É preciso que compreendais a linguagem. Quando mais tiverdes o desejo de esclarecer, de instruir os seres e de os ajudar, mais a luz aumenta em vós e se alarga até formar à vossa volta uma aura extraordinária, radiosa, luminosa. É o Sol que possui os verdadeiros critérios, as medidas, as leis absolutas. Por isso, eu não procuro instruir-me noutros livros, para mim o Sol é o verdadeiro livro.

E agora, não achais espantoso que o Sol, que dá, dá e irradia há biliões de anos, não se tenha esgotado?… O que vós não sabeis é que no amor divino existe uma lei segundo a qual quanto mais dais, mais vos encheis. No Universo, não há vazio. Logo que se produz um vazio, algo vem imediatamente preenchê-lo. Esta lei aplica-se em todos os planos. Se aquilo que dais for luminoso, resplandecente, benéfico, recebeis, do outro lado, elementos da mesma qualidade, da mesma quinta-essência luminosa e brilhante. Mas se emanardes sujidades, imediatamente o vosso reservatório se enche de sujidades.

O Sol é inesgotável porque, no seu desejo de dar, ele enche-se. Envia-nos os seus raios, mas ao mesmo tempo, recebe incessantemente novas energias da imensidão do Absoluto. Foi ele que me explicou um dia: “Eu estou continuamente ligado ao infinito, à Divindade, e, como tenho os mais puros desejos e pensamentos, atraio também as mais puras e luminosas energias. Aprendei comigo a tornar-vos perfeitos, inesgotáveis, infatigáveis. Tende o mesmo objectivo que eu, tende por ideal ser semelhantes a mim, trabalhar como eu, e constatareis que, quando dispendeis algumas energias para o bem dos outros, muito pouco tempo depois, de súbito, sentis-vos recarregados com novas energias.”

Como acontece isso? É misterioso, mas tão verdadeiro! Ao passo que se dispenderdes energias num propósito demasiado pessoal, levareis muito tempo a recuperar, a descansar, a restabelecer-vos, e se, por infelicidade, ficardes doentes, talvez sejam necessários meses e anos para vos curardes. As creaturas inspiradas pelos melhores pensamentos e pelo melhor ideal restabelecem-se sempre mais rapidamente.

Dir-me-eis, é claro, que é difícil realizar esta grandeza, esta superioridade do Sol… Seio-o bem; mas se, de geração em geração, os homens se aperfeiçoarem, se purificarem, se espiritualizarem, obterão pouco a pouco as mesmas qualidades que o Sol: serão infatigáveis, invulneráveis, inesgotáveis e sempre radiosos.

Trecho do livro Rumo a uma Civilização Solar – Omraam Mikhael Aivanhov – Editora Prosveta
Fonte: http://rumoaosol.wordpress.com/

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Surya Yoga, Yoga do Sol


Que privilégio poder assistir ao nascer do sol! É por isso que a cada ano, ao retorno da Primavera, é importante que preparem-se para estes momentos. É na presença do sol que você pode introduzir a ordem e a harmonia, ele lhe dá luz, amor, paz, alegria. É a fonte que flui, que vibra, que corre … Quando você é capaz de mergulhar neste fluxo de luz, você não retrocede.

E se você chegar cedo, antes do nascer do sol, para ver a primeira luz, a aurora, pronto, você será apreendido por um sentido sagrado. É como se toda natureza comparecesse para comemorar um mistério. Você se sente obrigado a andar de maneira diferente, de modo a não perturbar a atmosfera, e isto se torna poesia. Como não desejar que todos os seres humanos possam um dia sentir essa beleza, essa pureza, e beber dessa vida abundante ?

O.M. Aivanhov

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